Alexandre Ribeiro

Alexandre Ribeiro.

Nasceu. Santo André. Setembro. 1976. Teve formação humanística. Frequentou a ECA e a FFLCH. Formado em Letras. Esteve Músico, aprendeu a escutar. Esteve Professor, aprendeu a olhar. Está Livreiro. Está poeta tentando ser um. É leitor. Tem mais perguntas do que respostas. Sabe que a sua única certeza é que o amor responde a tudo. Sabe que um dia: Partirá.

Contato: alexandriasebo@uol.com.br

 


Conheça alguns poemas do livro “Cem milhões de olhos”:

 

 

Oh! Parede insana que me contemplas.

O branco de teu plano é falsa paz,

Loucura de conflito abstrato monocromático

Tuas formas revelam desertos, e cores

os meus olhos não enxergam.

Deverias ser

toda florida, pintada com esboços surreais

besouros bailarinos, borboletas sirigaitas,

folhas beijando o vento do outono.

Fuja, saia para a vida do infinito e o mundo

Deixe as casas só com os telhados, o vazio.

 

(20-XI-93)

 

***

 

Solidão, amiga da loucura. De onde vens?

Que sol contumaz te criou? Um precípicio

ressentimento, algor…

leva-nos as belezas e dúvidas, fatigantes.

Onde estás, senhor esquizofrênico, porta-voz

contudente da imaginação

Caminhemos por abismos. Semeias a paixão.

Desmente o amar, a sutileza

do movimento das águas.

O mar não será azul, todas as cores juntas

semblantes da eternidade, algum dia

na margem oposta deste oceano,

enclausuraremos o segredo,

o caminho das folhas, e teremos

um segundo para olhar para trás do horizonte

e transpirar com nossas últimas forças, eu amei.

 

***

 

Na parede

O caramujo é lúcido.

Transborda, a lenta

morte passional.

 

***

 

Mergulha meus olhos no éter.

Lá você encontrará os versos que me formam,

Palavras de meu sangue.

 

(9-x-94)

 

***

 

THE CELLS

 

O sol nasce triste, quadrado-mórfico, em minhas membranas…

plasmáticas tão fatigadas…ah! o cansaço de minhas retinas…

o amor de lágrimas armazenadas em pequenos complexos

lunáticos de golgi, e os meus gritos proteoglicanos

de tijolos podres, com baratas fagocitadas por cérebros,

urina espalhada por andrajos e chagas fibrinadas

por meu suor que escorre pelo olhar triste deste rato

que me acompanha; como esta colher, que é de fio de cabelo

liquidificada com minhas unhas sujas de tanto raspar

a argamassa da liberdade, que procura a cirrose destes muros

de luz espiritual enquanto espero o indulto de meu coração…

 

***

 

Conheça um pouco da edição/projeto gráfico experimental aqui: trailer


Título: Cem milhões de olhos

Autor: Alexandre Ribeiro

Poemas, formato 14×21, 96 páginas | Edição experimental

ISBN: 978-85-53073-04-7

Preço: R$ 38,00 (frete gratuito)




 

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